Autopsia

Antenor Sampaio de Castro Netto

 

Em 1964 eu estava fazendo medicina em Campinas, na Unicamp.

 

Em plena era do aço, eu não me envolvia em politica, pois esse não era meu intuito, eu queria ser

Medico legista e não politico.

 

Mas fui apanhado dentro da faculdade e levado para um porão e sendo chamado de comunista,

mas eu não era!

 

Depois que fiquei sabendo que aquele porão era o temido porão da morte.

 

Mas não tive medo, eu já sabia como isso iria acabar, eu sabia que dali eu só sairia em um caixão.

 

Com as mesmas ferramentas que eu fazia autopsia, eles me autopsia vivo, o que eles queriam eu

não sei até hoje, nada me perguntavam, só me torturavam.

 

Mas, quero dizer que só estou citando esse episodio, para que vocês saibam como desencarnei.

 

Porque hoje vivo em um mundo maravilhoso, onde todos se amam e me ajudam.

 

Vim para dizer que a palavra “ Perdão “ não é tão difícil de se dizer e sentir.

 

Aprendi muito com essa palavra.

 

Dor só senti quando vi meus pais chorarem por mim, agora entendo que a dor deles foi maior que a minha !

 

Hoje estou bem, graças a Deus. !

 

Quero sempre me orientar por todos do bem !

 

Obrigado pelo tempo.