A fazenda

Em nome de Deus, graças a Deus.

Consegui chegar a tempo, preciso contar a minha historia, quero contar para vocês.

Fui uma pessoa muito rígida, mandava em tudo e em todos.

E não gostava de reclamações.

O que eu falava era lei, e todos me obedeciam, tinham que obedecer porque eu não admitia desobediência.

Muitas vezes achava que era justo tudo o que eu fazia ou falava sempre foi justo para mim, mandava e desmandava.

Casei com uma vizinha, filha de fazendeiros que tinham muitas posses, como eu.

O casamento era arranjado, a moça estava com 15 anos , eu estava com trinta anos, ela me obedecia em tudo.

Deu-me cinco filhos: quatro meninos  e uma menina.

Os quatro estudaram e a menina fazia bordados, e só sabia ler e escrever um pouco.

Os meninos tinham que estudar para arranjar um bom casamento e trabalhar também.

Eles trabalhavam na fazenda e o mais velho ficava, ficaria com a minha fazenda e os outros três teriam que trabalhar e

fazer os seus pés de meia, para comprar uma fazenda ou casarem com uma mulher de posses.

A minha filha quando fez 15 anos casou-se com o meu vizinho, que tinha enviuvado.

Viveu submissa ao marido e deu-lhe muitos filhos, não se falava em felicidade, tinham que cumprir o casamento, cada um seguia seu caminho.

Eu morri, meu filho mais velho ficou no meu lugar.

Continuou o que eu fazia.

Só que uma cobra venenosa o picou e ele morreu, não deixou herdeiros.

Então, o segundo irmão pegou a propriedade e dividiu para os outros irmãos, cada um ficou com uma parte.

Eles sempre foram muito unidos.

Fizeram da fazenda a “ Fazenda Modelo “.

Eles puseram escola para os seus filhos e os filhos dos empregados e filhos de fazendeiros locais.

Trouxeram professores para ensinar.

A fazenda estava cada vez melhor e dando muito lucro, pois os empregados trabalhavam  sorrindo, felizes.

Aos domingos iam à cidade, para a missa e alguns festejos, sei que eles viviam felizes.

Eu tentei mudar a cabeça dos meus filhos, mas eles não ouviam.

Até que um dia, uma moça, a professorinha da escola, me viu e conversou com meus filhos.

O padre veio benzer a casa, a fazenda, jogou agua benta em tudo.

Eu tive que sair, ela me queimava.

Aí encontrei uns moços e eles me levaram para um lugar e lá fiquei.

O lugar é bom, esqueci a fazenda.

Deram permissão, há algum tempo, para escrever a minha historia.

Estou bem e,  estou mudado.

Vou reencarnar.

Obrigado por essa oportunidade.

 

Benedito.